A longa marcha - caminhe ou morra [2025]


"A Longa Marcha" é uma datação do livro de mesmo nome, escrito sob o pseudônimo Richard Bachman, e fala sobre um futuro distópico em que todos os anos acontece uma atividade na qual em cada estado é sorteado um rapaz a partir dos 18 anos para participar da tal Longa Marcha e apesar da inscrição não ser obrigatória, a situação de pobreza e a promessa de um gigantesco prêmio em dinheiro (mais a realização de um desejo do vencedor) atraem a atenção dos jovens.

Quero começar dizendo aqui que eu li o livro "A Longa Marcha" antes de ver o filme.



Então, quando eu vi o filme, muitas passagens e muitos trechos do livro foram retratados exatamente como no livro, no filme. E aqui eu quero abrir uma opinião extremamente particular e pessoal, ninguém precisa tomar ela como uma verdade absoluta, mas, para mim, a adaptação em filme de "A Longa Marcha" ficou mais dinâmica e mais fluída do que o livro.

Não estou falando em questão de escrita, estou falando em questão de ritmo de narrativa. Porque como é uma história extremamente visual, a gente precisa ver os personagens se movimentando e no livro, isso fica um pouco engessado.

Acho que já mencionei isso também quando assisti o filme "Jogo Perigoso", em que achei que a dinâmica da personagem ali, com a projeção do marido, que já não estava mais vivo para ela conversar, deu uma fluidez na história, na narrativa.

Porque no livro a gente só tem ela com os próprios pensamentos, sem nenhuma ideia de outro ser humano com quem trocar ideia. Então, para mim, isso é uma ideia muito pessoal, vou repetir mais uma vez, quando acontece esse dinamismo no filme de um livro, às vezes a versão no filme fica melhor do que o livro.

Eu estou falando de fluidez e movimento, eu não estou falando tanto do contexto da história.

Então, a gente tem 100 rapazes entre 18 e 20 e poucos anos, todos eles jovens e aparentemente saudáveis, de várias etnias, portes físicos e classes sociais, que estão juntos para competir para que, quando um chegue e cruza a linha de chegada, esse um vai receber uma quantia gigantesca em dinheiro, mas a realização de um desejo, não importa qual o desejo, seja o que ele tem, ele vai ser realizado.

E, apesar do Garrett ser o protagonista, a gente vê o foco ser dividido entre pelo menos mais nove rapazes e ficamos sabendo um pouco da história do passado deles, os motivos que fizeram eles se inscreverem na longa marcha, o que eles desejam pedir caso eles ganhem, e todos os traumas e anseios que cada um carrega durante a vida que trouxe para a longa marcha.

Para quem não está muito familiarizado com a proposta do livro, como eu falei antes, é uma marcha, ou seja, não é uma corrida, é uma caminhada em um ritmo levemente acelerado durante uma série de dias e passando por vários estados dos Estados Unidos, sem parar para nada, nem para comer, nem para ir no banheiro, nem para dormir.

E se o marchador diminuir a velocidade, ele recebe uma divertência. Na terceira vez, ele recebe o que eles chamam de bilhete, que nada mais é do que uma bala na cabeça.

Isso é um detalhe interessante porque o King fez questão de uma única coisa quando falaram que queriam adaptar esse livro dele, que as cenas de execução tinham que ser explícitas, não podiam ser fora de câmera, não podiam ser disfarçadas, elas tinham que ser bastante realistas para chocar.

O público que estivesse assistindo e, realmente, quando eu vi no cinema a primeira execução do primeiro participante, ela pega a gente de surpresa pela cruesa e violência com que ele é eliminado.

Durante o filme nós temos alguns personagens que podemos reconhecer como antagonistas, não bem como vilões, mas como personagens que vão contra os protagonistas da história. Um deles é um dos caminhantes chamado Barkovitz, é um garoto loiro, na faixa dos 18 e pouco, e ele é extremamente provocador, ele ironiza os outros participantes, ele provoca os outros participantes, ele leva eles ao extremo do ódio. Tudo como uma grande estratégia para ele se manter dentro da competição.

E do outro lado, num outro ponto, tem o tal do Major, que foi feito pelo Mark Hamill, o ator que ficou imortalizado como Luke Skywalker, que está totalmente diferente do personagem idealista e simpático da franquia Star Wars.

Aqui ele é o Major, um homem austero, distante, seco e cruel. Mais para frente no filme, a gente vai descobrindo algumas informações que conectam ele a algumas pessoas que estão participando da longa marcha, direta ou indiretamente, ele tem algum tipo de ligação com alguns dos rapazes. E isso torna a coisa toda ainda mais perturbadora.

Aqui eu vou abrir uma pequena observação para falar de um outro livro que eu gosto muito também, que é Battle Royale, que também teve uma versão em filme nos anos 90. Inclusive, dá para encontrar ela completa no YouTube.

E o Battle Royale, o autor do Battle Royale, falou numa entrevista que ele teve forte influência da Longa Marça quando ele escreveu o Battle Royale.

Battle Royale apresenta um grupo de estudantes de uma escola num Japão distópico também, onde para diminuir o nível de violência dos jovens eles escolhem todo ano uma turma numa escola aleatória e mandam eles para uma ilha onde os adolescentes recebem bolsas com todo tipo de arma, que pode ser desde uma espingarda, uma faca ou até mesmo uma espátula ou uma tampa de panela. E a ideia é que um elimine o outro até.

Só sobrar apenas um, o que é parecidíssimo com Longa Marcha, só que aqui não são os rapazes que têm que se eliminar, né? Eles são eliminados pelos soldados que acompanham eles durante a marcha. Mas o autor do Batlle Royale diz que leu A Longa Marcha quando estava na escola e ele ficou fascinado e escreveu Batlle Royale.

A Longa Marcha é dos anos 70, o livro do Battle Royale é dos anos 80, o filme do Batre Royale é dos anos 90. Então, A Longa Marcha e Battle Royale são os primeiros grandes títulos que falam sobre o chamado horror survival, o horror de sobrevivência, bem antes da autora de Jogos Vorazes lançar o primeiro livro da série.

E falando em Jogos Vorazes, o diretor do filme é Francis Lawrence, vale mencionar que ele dirigiu pelo menos quatro filmes da franquia Jogos Vorazes, então ele já tem uma base nesse tipo de enredo, de sobrevivência.

Mas diferente dos Jogos Vorazes, que é direcionado para um público jovem, adolescente, a longa marcha, ela tem uma pegada mais sombria, se possível dizer, e logo nos primeiros minutos que eles começam a caminhar, a gente já sente o peso sufocante do que está por vim, todos esses 100 rapazes que estão concorrendo e que vão sendo abatidos durante o trajeto.

E é claro que, nos primeiros quilômetros, os rapazes estão até bastante otimistas, cheios de planos, muito felizes de que estão participando por causa da atual situação do país, que parece que se encontra numa espécie de recessão financeira muito grande.

Os detalhes não são muito bem explicados e a gente só pode deduzir que é um Estados Unidos distópico, um futuro ruim, mas não é colocado exatamente o ano que a história se passa e a gente não vê qualquer tipo de eletrônico, então pode ser até mesmo nos dias de hoje, a longa margem poderia acontecer.

Mas, conforme foi passando, acredito que após a primeira noite andando sem dormir, ou melhor, dormindo andando, alguns dormem andando, que começa a ficar um. Menos divertido a caminhada, e a coisa vai piorando conforme eles vão ficando exaustos, ou então quando eles precisam usar o banheiro para fazer uma necessidade que não dá para fazer andando, vamos dizer assim.

E se eles não levantam da onde eles estão nos próximos três segundos, eles recebem um aviso. Um segundo aviso mais três segundos, com mais três segundos eles recebem o bilhete, e aí acabou para eles.

E uma curiosidade, o ator que faz o Garrett é filho do Philip Seymour Hoffman, um ator que, por sua vez, antes de falecer em 2014, participou de uma das partes da franquia Jogos Vorazes. O Philip Seymour Hoffman também atuou em Capote e vários outros filmes bastante conhecidos.

E o filho dele, Cooper Hoffman, entregou uma atuação muito consistente como Garrett, que teria deixado o pai dele muito orgulhoso.

O intervalo entre uma advertência e outra são 10 segundos. Se você receber três advertências e conseguir levantar e continuar, durante a próxima hora, se não receber mais nenhuma advertência, essas duas advertências são zeradas. Mas se o participante receber uma terceira advertência, enquanto ainda está com duas advertências antes de uma hora de tolerância terminar, ele é eliminado.

A trilha sonora pesada e as grandes tomadas de filmagens estáticas em paisagens e até mesmo no asfalto que os rapazes estão andando, elas dão o tom, elas dão o ritmo sufocante e quase claustrofóbico, apesar do filme inteiro se passar em lugar aberto, é uma coisa extremamente sufocante.

E, durante o filme, a gente vê os personagens criarem todo tipo de artimanha para não pararem de andar e, ainda assim, poderem observar as coisas, como, por exemplo, andar de costas. Quando um deles precisa urinar, ele meio que vira para o lado onde estão os outros participantes para fazer a necessidade, sem parar de andar. E também tem o fator de que, quando o cantil de água ou o cinto de alimento deles acaba, eles podem pedir um novo. Mas o jipe que está com os soldados é que tem que andar rápido até alcançar eles. Eles não podem diminuir a velocidade para contar o jipe que fica atrás.

Antes do primeiro personagem ser eliminado na longa marcha, há vários momentos de tensão em que a gente acha que algum personagem vai receber o tal do bilhete. Mas, quando finalmente acontece, mesmo apesar de toda essa suspense, essa preparação que a gente recebe no filme, ainda continua sendo impactante e chocante quando a gente vê o primeiro rapaz ser eliminado. Porque, como eu falei antes, as cenas são bastante explícitas. A câmera não vira para o outro lado, não mostra só as pernas. A câmera mostra a execução por completo, que foi uma das únicas exigências que o King fez para o livro ser adaptado em filme.

Agora aqui tem uma observação para quem não gosta de ver gestos obscenos ou ouvir palavrões em um filme. Com 100 personagens masculinos na faixa dos 18 aos 20 e poucos anos juntos é claro que existir muito palavrão. Eles falam bastante, eles xingam muito no filme.

Então para quem não gosta já está avisado aqui que tem muito palavrão no filme. Uma ofensa de um para o outro, ou ofensas de modo geral, comentários sexualmente obscenos e faz parte do conteúdo original. No livro também os personagens são bem grosseiros e agressivos.

Eu estou fazendo essa observação e caso alguém que esteja interessado de assistir mas não goste já vai sabendo que vai ter palavrão. Física, essas coisas quase não tem, mas tem uma cena em que um deles precisa defecar e a cena é bastante explícita também. Já estou avisando tudo isso para não, para ninguém ir assistir e depois vir reclamar que eu não informei.

É claro que nessa review aqui eu não vou falar spoilers do final do filme, mas aqui vai uma pequena observação. O desfecho final do filme é diferente do desfecho final do livro, pois quem consome conteúdo distópico sabe que todo livro sobre distopia termina em aberto.

Então no livro a gente tem um final que não é fechadinho, eu não vou dar spoiler caso alguém queira ler o livro, mas é um final meio decepcionante, eu não vou mentir. Eu me decepcionei bastante com o final daquele jeito, porque eu queria um fechamento para essa história.

O filme tentou dar um fechamento, não ficou ruim, mas ficou meio piegas, é o que eu vou dizer. O detalhe negativo do filme inteiro.

No geral, de todas as adaptações dos filmes do King que aconteceram este ano, essa aqui, junto da vida de Chuck, se tornaram as minhas favoritas. Elas são dinâmicas e bastante fiéis ao conteúdo original, e ainda assim elas têm um elemento particular e único que só os seus diretores puderam colocar nelas.

Em resumo, foi uma adaptação bastante satisfatória. Quando eu vi no cinema, quando eu saí da sessão, foi uma experiência muito interessante, bastante interessante, além da quantidade enorme de pequenas referências a outros conteúdos do King que tem no filme, e uma breve menção a cidade de Derry, que se passa, o livro e o filme e a série da coisa.

Eles passam por Derry, no Maine, quando estão fazendo a caminhada, porque a longa marcha é cruzando praticamente o país inteiro dos Estados Unidos, de uma ponta à outra.

Como falei mais para cima, a única coisa que me decepcionou foi o desfecho final. A ideia que o roteirista achou para dar um fechamento para a história que no livro termina de uma forma em aberto para a história que no livro termina de uma forma em aberto foi muito interessante. A ideia que o roteirista achou para dar um fechamento foi um pouco preguiçosa e piegas, mas não apagou toda a jornada do filme, que é maravilhosa. É uma experiência incrível.

Fiquei muito feliz de conseguir assistir no cinema e agora eu revi para fazer a review, e foi igualmente muito bom. Recomendo, se vocês tiverem a chance de assistir o filme. E amanhã, dia 31 vai ter a última review das obras lançadas do King em 2025, que é o Bem-vindo a Derry, que eu vou tentar fazer um apanhadão dos 10 episódios da série.

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