O Sobrevivente [2025]
"O Sobrevivente" é um remake do filme dos anos 80, adaptação do conto, "O concorrente", do Stephen King sob pseudônomo do Richard Bachman.
E este aqui foi dirigido pelo Edward Wright e eu até gosto de um ou dois filmes que ele dirigiu.
Quero começar dizendo que eu ainda não li o conto, apesar de eu ter o arquivo.
O livro foi relançado recentemente pela Suma de Letras, eu pretendo comprar no futuro. Então, eu não tenho bem um parâmetro de base. Ao contrário da longa marcha, que eu li o conto e depois vi o filme, e vai ter uma review mais para frente ainda essa semana.
Mas, comparado com a versão com Schwarzenegger, dos anos 80, esse aqui tentou pegar um viés mais comovente, mais dramático, logo no começo, apresentando o protagonista com uma filha pequena, um bebê, e ele precisa de um emprego e dinheiro para cuidar da criança que está doente. E, logo no comecinho, a gente recebe a propaganda do concorrente, que é um reality show em que as pessoas se inscrevem e participam de provas extremamente bizarras para conseguir ganhar algum dinheiro.
Apesar de hoje em dia esse cenário de futuro distópico já está bastante batido, ainda assim a crítica social parece importante, em que o ser humano não tem dinheiro nem para comprar um medicamento para criança doente e vai ter que se sacrificar fisicamente em um programa de auditório que não tem o mínimo de compaixão para conseguir ganhar uma ninharia de dinheiro, o que não é muito diferente da sociedade capitalista de hoje em dia, em que o ser humano se sacrifica ao máximo para receber o mínimo.
E aqui vão algumas observações, o nome original não é "O sobrevivente", o nome tanto do conto quanto do filme original é "o corredor/concorrente"O "jogo" dura 30 dias e é uma crítica também como a mídia manipula as imagens e informações, porque quando o personagem protagonista é apresentado ao público, ele é apresentado como um traidor que vendeu dados secretospara a Rússia e a esposa dele é tratada como uma mulher que faz um tipo de trabalho que não é muito bem visto.
É um filme de ação competente, mas eu acho que ele poderia durar no máximo uma hora e meia. O filme dura duas horas e dezesseis minutos e, antes de chegar na primeira hora, já estava bem cansativo. Não teve muito desenvolvimento de roteiro, como costuma ter nas adaptações de histórias do King.
E uma vez que o protagonista entra na competição, a gente vai se distanciando desse objetivo dele e o personagem fica meio sonso, sem sentimento, sem graça, o que é uma grande pena, mas eu acho que é algo que já percebi ser meio padrão nos filmes do Edward Wright.
Como eu falei, mais para cima, um outro filme que ele fez foi "Noite passada no Soho", que é um filme de viagem temporal muito legal, exceto pelos últimos 15 minutos finais, quando tem a grande reviravolta em que explica-se tudo da história e é decepcionante.
Tem alguns detalhes interessantes ainda assim, qualquer pessoa na cidade pode denunciar um dos sobreviventes que eles são soltos pela cidade, são três, eles são soltos pela cidade e são caçados pelos contratados do programa, mas qualquer pessoa que esteja no estabelecimento pode apertar um botão e denunciar que esse sobrevivente esteve no estabelecimento e aí ele é abatido assim que ele sai.
Bom, hoje em dia já existe aquele aplicativo Deep Fake que faz montagens medonhas de pessoas reais falando e fazendo coisas que não são de verdade, com a ajuda da inteligência artificial. Aqui no filme, apesar de não botarem exatamente com palavras que isso está sendo usado, a organização do programa do sobrevivente faz vídeos extremamente violentos, agressivos e... tudo de ruim que você possa imaginar, com o rosto do protagonista.
Ele falando coisas medonhas e perturbadoras. E as pessoas que estão assistindo vão pegando raiva dele, que já foi apresentado erroneamente como um criminoso, para as pessoas pegarem raiva dele, para as pessoas torcerem para ele ser abatido, para ele não conseguir ir até o fim do programa.
E então todos os dias, na hora que é exibido os cortes do programa, é exibido esses vídeos, essas montagens feitas com o rosto dele, de forma extremamente realistas, para descredibilizar cada vez mais a imagem dele para o público. O que não é muito diferente do que acontece hoje em dia com o tal do linchamento virtual, em que, se você não tomar cuidado, uma pessoa que não cometeu nada de errado, não fez nenhum crime, acaba sofrendo uma espécie de perseguição virtual por conta de boatos e histórias.
Vale citar que a cidade de Derry é mencionada rapidamente durante o filme, mas só com uma referência rápida, porque na teoria Derry fica no Maine e a história se passa no estado do Maine, como praticamente todas as histórias do King, porque o homem é de lá.
Depois de "O Macaco", "O Sobrevivente", não foi uma das melhores adaptações do King de 2025. Não foi um filme incrível que eu pretendo rever de novo no futuro.
A sequência final, os últimos 10 minutos de filme, até compensa, porque tem todo aquele reviravolta e tal, e a mensagem sobre questionar a distopia e enfrentar a grande mídia que estava fazendo manipulação das coisas, até legalzinha, mas, no geral, o filme é bem morno, bem morno. Ele não manteve a constância durante as mais de duas horas de duração.
Eu assisti pra fazer essa review e talvez eu nunca mais reveja. Eu até gosto de alguns filmes de ação, mas a proposta aqui era outra, é uma crítica distópica e muito da crítica distópica, do abuso, da exploração da mídia e do capitalismo ficou em segundo plano quando o filme resolveu focar mais na parte da ação.

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