Bem-vindos a Derry temp.1 [2025]


O conteúdo de hoje é a série Bem-vindos a Derry, que foi a grande sensação do ano. 



As pessoas não falavam de outra coisa. Bem-vindos a Derry, acredito eu, superou até mesmo a temporada final de Stranger Things, no quesito discussão na internet. 

Antes de mais nada, preciso dizer que a série se passa antes do livro e antes dos filmes. Então, se fosse antes do livro, ela se passaria nos anos 30. Mas como é antes dos filmes, ela se passa nos anos 50, porque o filme se passa nos anos 80. 

E vale observar que a série tem uma pegada meio na linha "Game of Thrones" no quesito de a gente não poder se apegar a nenhum personagem, porque seu personagem preferido pode não continuar nos próximos episódios. 

Eu percebi isso logo no episódio piloto, em que acontecem muitas coisas e alguns personagens pelos quais eu tinha criado certa afeição não continuaram no resto da série.

Começando pela abertura, que são uma série de ilustrações no estilo Norman Rockwell, um artista muito conhecido por retratar o cotidiano norte-americano dos anos 1940, só que em cada imagem tem escondido um detalhe perturbador. Isso me lembrou um outro artista, cujo nome eu não lembro agora, mas é um artista mais contemporâneo, que faz esse tipo de ilustração. 

Então, nas artes dele, a cena parece normal, por exemplo, uma cafeteria. Só que conforme você vai observando, você vê cada vez detalhes mais bizarros, como uma mancha de sangue no chão, um tentáculo saindo debaixo da mesa e coisas assim. 

E na abertura, que são imagens estáticas nesse estilo de ilustração, em cada imagem a gente vê uma coisa perturbadora. Eu quero ressaltar aqui a cena em que aparece Juniper Hill, que é o hospício da cidade, e inicialmente parece que vemos uma criança fazendo um tratamento dentário. Só que depois que você vê a cena algumas vezes na abertura, pode percebe que na verdade a criança está sendo lobotomizada.

Eu gostei bastante de como a série deu mais carne para a história de fundo da Coisa e para as explicações de que ela é uma criatura que veio do espaço, como é apresentado no livro e o papel dos indígenas tentando cercear a criatura dentro de um certo ponto da floresta para não atacar os moradores, inclusive a própria aldeia indígena. Eu gostei muito dessa parte e das menções à tartaruga, que é uma criatura que aparece muito no livro, mas nos filmes ela quase não é mencionada.

Inclusive na série a tartaruga tem duplo sentido,  ela é a rival do Pennywise,  mas também tem o sentido de abaixe-se e se esconda-se, porque está começando a guerra nuclear e tal treinamento é ensinado as crianças  na escola, para quando escutarem algum barulho alto, eles devem se abaixar e se esconder como uma tartaruga.

Eu gostei também do desenvolvimento dos personagens, eu quero destacar aqui a Margie, que no começo da série, eu não vou mentir para vocês, eu detestava ela e a achava uma personagem insuportável, que ficava humilhando a outra menina, para ganhar a atenção das meninas malvadas da escola. 

Mas depois que acontece tudo o que acontece com ela, a gente vê a personagem crescer como ser humano e mudar dessa caricatura que quer ser aceita pela panelinha do mal da escola e criar toda uma identidade única dela. 

Inclusive, todos os atores mirins, eles estão incríveis entregando o papel dos personagens, está muito bom. Eu gostei muito do trabalho de todos eles.

A única coisa que eu não gostei muito, mas quem acompanha aqui os conteúdos da página já está acostumado é que eu não sou muito fã de efeitos de CGI e efeitos de computador em geral. 

Eu prefiro muito mais os efeitos e maquiagem prática, então quando um conteúdo do King que é adaptado usa de efeitos práticos, isso me faz virar fã. Mas não é muito o caso de Bem-vindo a Derry, especialmente, por exemplo, naquela cena em que a Lily tem o momento em que a Coisa vai perturbar ela com os potes de picles.

Não vou entrar em detalhes porque não quero estragar a experiência de ninguém, mas tem uma cena em que uma personagem chamada Lily, que é uma das crianças, tem que lidar com uma espécie de alucinação envolvendo potes de picles. E essa cena, a parte computadorizada para mim, ela estragou a cena. 

É claro que seria difícil fazer aquela cena com um efeito prático, daria muito trabalho, talvez ficasse muito caro. Mas acho que, em alguns momentos, um efeito prático teria causado mais desconforto no público que está assistindo, do que o efeito computadorizado. 

Mas, no geral, eu gostei bastante da série. Ela está com um nível muito bom de gore, de horror corporal. Eu achei isso muito bom. Eu gostei também de como eles trabalharam a conexão entre o Dickie Halloran, do Iluminado, quando ele estava em Derry, quando ele ainda era do Exército, e como ele usou a iluminação dele para descobrir coisas sobre o Pennywise.

E aqui vem uma observação que, acredito que só quem leu o livro sabe dessa informação, mas acho que é importante dizer que a Coisa é uma fêmea, apesar da representação de um palhaço, uma figura masculina em boa parte da história, a  Coisa na sua forma natural é uma fêmea e no livro, em certo momento, aparece que ela botou ovos, ou seja, ia ter mais Coisinhas em Derry. 

Então eu espero que nas próximas temporadas, se a série for renovada e a gente não pode esperar nada, porque por mais sucesso que tenha tido, mas segundo o diretor, as temporadas vão regredir. 

Então dessa temporada dos anos 50, ela vai voltar para os anos 30 e talvez até para os anos 10. As próximas abordagens são a caça aos ovos da metalurgica, que terminou num incêndio e se eu não me engano, tem o massacre da gangue Bradley. Tudo isso está no livro.

Agora vamos falar sobre o grande elefante na sala, que é o tal do Bob Gray, que na série e nos filmes recebeu muito mais atenção do que no livro. Pelo que eu me lembro do livro, eu li já faz alguns anos, mas pelo que eu me lembro, o Bob Gray  é só uma representação que o Pennywise toma quando ele quer interagir com adultos ou passar despercebido. 

Então o Bob Gray não era, no livro, um palhaço de circo que tinha uma filha e foi devorado pela Coisa. Todo esse contexto foi criado para o filme de 2017 e 2019 e para a série agora de 2025. O Bob Gray, apesar de ser um personagem canônico, não tem todo esse passado e impacto de roteiro que a gente vê na série.

E falando sobre personagens, para quem assistiu até o último episódio, no finalzinho aparece a Beverly criança do filme de 2017. A cena mostra como a mãe dela tirou a própria vida em Juniper Hill, a mulher estava internada no hospício, e aí aparece aquela senhora idosa que é, dentro do contexto da série, a filha do Bob Gray e ela é uma senhora fala para Beverly que "ninguém morre de verdade em Derry" dando o gancho macabro para o filme de 2017. 

Esta mesma atriz, Joan Gregson, interpretando a Sra. Kersh em It parte 2 de 2019, e que infelizmente faleceu em Junho deste ano, um pouco depois de gravar a sua participação na série do Bem-vindos a Derry.

E como todo mundo deve ter percebido, as crianças sobreviventes na temporada vão se tornar os pais e mães das crianças que vão criar o Clube dos Perdedores no primeiro filme da série. 

Eu não vou dizer quem vai ser pai ou mãe de quem, mas se você assistiu a série deve ter uma breve ideia de quem vai ser o quê ali e porque uma das crianças recebeu um certo nome especíifico. 

Não posso dar spoiler, porque não vai estragar a experiência de quem ainda não assistiu a série e gente se vocês tiverem a chance, assistam,  vale muito a pena.

Agora vou entrar num ponto muito complicado. 

Muita gente que nunca leu Stephen King na vida foi assistir Bem-vindos a Derry, porque a série estava fazendo maior sucesso e isso é ótimo, mas as pessoas não entendem que nem todos os livros do King estão conectados a Derry. 

Teve uma pessoa no TikTok que fez um vídeo (bem competente na verdade) falando das conexões de outras adaptações do King com Bem-vindos a Derry, e as pessoas começaram a reclamar por que este livro, aquele filme não estava no video? Sendo que a pessoa falou apenas dos conteúdos que eram ligados diretamente a Derry. 

O King escreveu muita coisa e nem todos os conteúdos têm conexão direta com Derry. Em alguns deles, como por exemplo a Longa Marcha, os meninos passam por Derry, mas eles só passam. Eles não têm qualquer interação com os moradores de lá. 

Então, por um lado, é muito bom a gente estar tendo mais fãs de conteúdo baseado nos trabalhos do King, é muito bom, é sempre bom ter mais fãs. Mas, por outro lado, a gente está tendo gente sem informação, fazendo uma verdadeira bagunça, uma confusão sobre o que é e o que não é canônico dentro do universo de Derry, do universo da coisa. 

As pessoas estão colocando a Carrie como uma iluminada.  Carrie não tem iluminação, ela tem telecinese, que é um poder mental sim, mas é diferente. A iluminação, que aparece nos livros O Iluminado, Doutor Sono e, brevemente, em It, a Coisa, e agora no Bem-vindos a Derry, é um poder em que você consegue ler a mente das pessoas e interagir com a mente das pessoas. A Carrie é telecinética, ela move objetos com a mente. A Charlie, de a incendiária é pirocinética, ela acende fogo nas coisas. 

Quem poderia, talvez, entrar na lista de iluminados seria o Luke, do Instituto. Porque ele tem um poder de leer mentes, mas não é tudo a mesma coisa, nem tudo é iluminação. Isso é um grande detalhe que eu acho que é importante explicar para as pessoas não fazerem mais essa confusão.

Outro detalhe que a série conseguiu explicar foi  que a loja Rose de Segunda Mão, na qual o Stephen King aparece no filme It Parte II como dono, era, na verdade, da Rose, uma indígena, e aí na série conta a história dela desde criança, que ela já teve outros contatos com a Coisa, quando ela criança e que atualmente ela é dona da do antiquário Rose de Segunda Mão (Onde o Bill reencontra Silver, sua bicicleta de infância). 

Eu achei legal essa ligação, porque faz umas conexões muito legais, para a gente que conhece o universo King, que leu o livro, e que viu a série, e viu o filme de 1990, e os de 2017, 2019, tudo isso faz um grande sentido para a gente.

Só achei que o último episódio teve muita informação para você digerir uma vez só. Tinha muita coisa em tela para a gente entender e em alguns momentos ficou meio complicado decodificar tudo.  Mas, pretendo rever a série por completo em 2026 e fazer uma nova análise, porque, assim como muita gente aqui, eu assisti semanalmente, é um episódio por semana, mas eu pretendo rever tudo de uma vez para dar um retorno mais completo da série.

E é isso gente, foi uma série muito legal, eu estou torcendo muito para que ela seja renovada, apesar de que tudo indica que ela vai ser, a gente não pode contar antes da confirmação da emissora, mas eu acho que foi muito legal, eu estou muito a fim de ver a temporada em que vai cobrir a explosão da metalúrgica e a desastrosa caça aos ovos.

O diretor da série (e dos filmes de 2017 e 2019) Andy Muschietti informou que  a série está prevista para ter três temporadas, e a terceira vai ser a origem da Coisa, quando ela chegou no planeta Terra, caiu em Derry. 

Outra coisa que eu gostei foi que Muschietti usou do elemento de essa cidade é a coisa, para abordar tópicos como racismo, preconceito, de classe social, foi bem legal. As pessoas que moram em Derry estão infectadas pelo comportamento da coisa. Inclusive, é falado que antes de acabar cada ciclo de alimentação da coisa, que dura a cada 27 anos, acontece uma grande catástrofe na cidade ou alguma coisa igualmente horrível. E aconteceu. 

No último episódio a gente viu mesmo. Mas eu gostei mesmo. Só me incomodou um pouco, foi o excesso de CGI, mas isso é uma coisa particular porque eu prefiro efeito prático. Mas, num geral, a narrativa, o roteiro, o trabalho, é a inserção dos personagens do filme. 

A Beverly, no finalzinho do último episódio, se não me engano, essa cena é pós-credito. Ela está lá chorando porque a mãe faleceu e aparece a velhinha, que na verdade é a mulher, é a enfermeira que tem amizade com. Com a Lili, que é filha do Bob Gray. 

Teve algumas cenas bem interessantes, teve uma cena bastante comovente no último episódio e eu posso dizer, com propriedade de causa, que Bem-vindos a Derry foi a melhor série de horror/fantasia de 2025. 

Feliz 2026!

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